Estudantes da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), unidade acadêmica especializada em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conquistaram três premiações no Desafio ELI Agro 2026, realizado no sábado, 17 de outubro, durante a programação da Festa do Boi, em Parnamirim. Duas equipes formadas por alunos do curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) se destacaram entre as 29 participantes da competição, conquistando o primeiro lugar geral, o primeiro lugar na categoria Agricultura Familiar e o segundo lugar na categoria Carcinicultura.
Os resultados evidenciam o potencial da EAJ como ambiente de formação, empreendedorismo e inovação tecnológica. Ao reunir cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação em diferentes áreas do conhecimento, a Instituição oferece condições para a integração entre a tecnologia da informação e as ciências agrárias, estimulando o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades dos produtores rurais e das cadeias produtivas do Rio Grande do Norte.
A equipe Beezes, formada pelos estudantes Alan Martins de Azevedo, Gabriel Santos Soares, Gustavo Souza de Lima e Ayron Gabryew Dias da Costa Matos, conquistou o primeiro lugar geral da competição e a primeira colocação na categoria Agricultura Familiar. O grupo desenvolveu o aplicativo ZUM, uma plataforma digital criada para facilitar a comercialização de produtos da agricultura familiar e aproximar produtores e consumidores.
Disponível para dispositivos Android e iPhone, a ferramenta permite que consumidores reservem produtos antecipadamente e realizem a retirada diretamente nas feiras, contribuindo para a organização das vendas e a ampliação das oportunidades de comercialização. Entre as funcionalidades está a autenticação por código enviado pelo WhatsApp, que dispensa o uso de senhas e simplifica o acesso à plataforma.
A proposta busca fortalecer a comercialização direta e ampliar as possibilidades de conexão entre consumidores e produtores vinculados à União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes). Além de facilitar as compras, a tecnologia tem potencial para valorizar a produção local e contribuir para o fortalecimento econômico dos agricultores familiares.
A inspiração para o projeto surgiu durante uma visita a uma feira, quando os estudantes conheceram a dinâmica de organização das colmeias e o trabalho coletivo das abelhas. A experiência serviu de referência para a criação da equipe Beezes, associando a colaboração entre os insetos à proposta de conectar pessoas e fortalecer relações comerciais por meio da tecnologia.
Para o estudante Alan Azevedo, a participação na competição também representou um estímulo à continuidade do desenvolvimento de soluções tecnológicas. “Essa é a nossa primeira experiência participando do ELI Agro. Agora, a ideia é continuar desenvolvendo outros projetos”, afirmou.
Tecnologia aplicada à produção animal e à rastreabilidade
A EAJ também conquistou o segundo lugar na categoria Carcinicultura com a equipe Zelo, formada pelos estudantes Pedro Davi Hipolito Silva de Lucena, Cleiton Mizael da Silva, Natanael Lucas Barbosa Soares e Thiago de Lima Rodrigues.
O grupo desenvolveu uma plataforma tecnológica integrada que combina Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial preditiva e sistemas de rastreabilidade para modernizar a gestão de atividades agropecuárias. Uma das características da solução é a possibilidade de funcionamento sem conexão permanente com a internet, aspecto importante para sua utilização em propriedades rurais com limitações de conectividade.
Entre as aplicações propostas está o monitoramento de bovinos por meio de biometria tridimensional e sensores térmicos, permitindo acompanhar indicadores relacionados ao peso e à saúde dos animais sem a necessidade de procedimentos convencionais de pesagem, que podem provocar estresse.
Na apicultura, a plataforma utiliza recursos de bioacústica para analisar os sons produzidos pelas colmeias e identificar possíveis alterações em suas condições, reduzindo a necessidade de intervenções diretas no manejo. Outra funcionalidade é o Zelo Trace, módulo que utiliza códigos QR para possibilitar a rastreabilidade de produtos e agregar valor à produção de agricultores familiares e cooperativas.
A diversidade de aplicações demonstra como ferramentas computacionais podem contribuir para a modernização das atividades agropecuárias, oferecendo alternativas para o monitoramento, a gestão e a comercialização da produção.
Integração entre tecnologia e ciências agrárias fortalece a inovação na EAJ
As conquistas no Desafio ELI Agro reforçam uma característica importante da Escola Agrícola de Jundiaí: a convivência entre diferentes áreas de formação em um ambiente acadêmico voltado à produção de conhecimento e à busca de soluções para os desafios do setor agropecuário.
Nesse contexto, o curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e o curso técnico em Informática apresentam grande potencial de integração com os demais cursos da Instituição. A aplicação de conhecimentos em programação, inteligência artificial, análise de dados, automação e desenvolvimento de sistemas abre possibilidades para projetos conjuntos nas áreas de agricultura, zootecnia, agroindústria e outras atividades relacionadas às ciências agrárias.
Essa aproximação favorece a formação de profissionais capazes de compreender problemas concretos e desenvolver tecnologias para solucioná-los. Ao mesmo tempo, permite que estudantes das áreas agrárias tenham contato com ferramentas digitais que vêm transformando os processos produtivos, contribuindo para a construção de uma formação interdisciplinar e conectada às demandas contemporâneas.
Segundo a professora Tásia do Vale, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da EAJ/UFRN, a formação acadêmica busca estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas à agricultura, com foco na inovação e no fortalecimento do agronegócio potiguar. Para a docente, os resultados alcançados na competição representam o reconhecimento da capacidade dos estudantes de transformar conhecimentos adquiridos durante o curso em propostas voltadas às necessidades do setor produtivo.
As premiações também demonstram a importância de incentivar o protagonismo estudantil, a criatividade e o empreendedorismo durante a formação acadêmica. Ao participar de desafios de inovação, os estudantes têm a oportunidade de desenvolver projetos, trabalhar em equipe, dialogar com diferentes setores da sociedade e compreender as possibilidades de aplicação dos conhecimentos construídos na Universidade.
Desafio ELI Agro estimula soluções para o campo
Promovido pela Governança do Ecossistema Local de Inovação do Agronegócio (ELI Agro), com participação do Sebrae-RN, o desafio chegou à terceira edição, reunindo 29 equipes interessadas em desenvolver soluções para problemas relacionados à agricultura familiar e à carcinicultura.
A competição busca aproximar instituições de ensino, estudantes, empreendedores e representantes das cadeias produtivas, incentivando a criação de tecnologias e modelos de negócios que possam contribuir para o desenvolvimento do agronegócio potiguar.
A etapa final, realizada durante a Festa do Boi, proporcionou aos participantes a oportunidade de apresentar suas propostas em um dos principais eventos do setor agropecuário do estado, ampliando a visibilidade dos projetos e a interação com produtores e profissionais da área.
Para Luis Felipe, gestor do ELI Agro pelo Sebrae-RN, a qualidade dos trabalhos apresentados e o envolvimento das equipes demonstram a capacidade dos participantes de desenvolver respostas inovadoras para os desafios do setor produtivo. O gestor também destacou a importância da continuidade dos projetos, independentemente da classificação obtida.
Com os resultados alcançados, a EAJ amplia sua presença no ecossistema de inovação do Rio Grande do Norte e reafirma seu papel na formação de profissionais capazes de integrar ciência, tecnologia e empreendedorismo. As conquistas das equipes Beezes e Zelo demonstram que a aproximação entre a tecnologia da informação e as ciências agrárias pode gerar soluções com potencial para transformar atividades produtivas, fortalecer a agricultura familiar e contribuir para o desenvolvimento regional.
Foto: Anastácia Vaz.
EAJ/UFRN.
